29 Novembro 2009

Esta semana comprei o sol

E não é que aquilo tinha coisas interessantes pelo meio? A sério, tipo um filme de teenagers como oferta e a revista cheia de artigos interessantes (a sério, se eu fosse director da revista do sol esta não seria muito diferente da que saiu para as bancas esta semana...). Entre as coisas que me pareceram cheias de interesse contam-se o tema de capa e um artigo sobre futebol, mas também senti a falta da página de vinhos e do José Quitério lá pelo meio.

E pergunta-me alguém: porque raio é que tu, que não sabes fazer um soufle em condições, te preocupas com a página de culinária do expresso? Bem, a verdade é que a página de culinária do Expresso é bem mais do que uma simples página de culinária, é todo um manual de:

1. Como fazer 2/3 do texto em torno do acessório sem que este perca as qualidades intrínsecas;
2. Usar expressões cujo significado desconhecemos, mas que após uma breve consulta do priberam podem servir para impressionar amigos / engatar miúdas com 18 anos que são bué independentes, estão no primeiro ano da faculdade que adoram "cinema francês".
3. Aprender;
4. Dizer mal, mas com boas maneiras e sem se ser desagradável.

Esta última alínea era utilizada pelo José Quitério à coisa de duas semanas, quando escreveu um texto muito simpático em que dava a entender que a comida não era nada de especial, e o serviço era mau - ao alcance de poucos.

Voltando ao sol, e à sua revista, outro ponto de interesse era o artigo sobre o estúdio 33 de Luís de Matos. Eu sempre gostei da personagem Luís de Matos, mas depois de saber que o rapaz abandonou a faculdade em que dava aulas para se dedicar à magia, e que tem a terceira maior colecção de livros de magia do mundo há uma coisa fascinante: o rapaz não me parece nada pretensioso. A sério, dois terços deste país (e digo deste país porque não conheço o mundo) tem a mania que podia ter sido o maior, que podia ter sido o próximo Björn Borg se não tivesse nascido em Bragança ou o próximo Mikhail Kalashnikov se tivesse tido dinheiro para seguir em frente com o seu projecto.

Claro que isto não era grave, se o outro terço não estivesse convencido que é o melhor. Que é o gajo que mais percebe de sistemas táticos com alas basculantes do bairro ou que melhor joga à sueca no café da esquina. Temos um fado de termos gente genial a mais em Portugal.

Mas o Luís de Matos não, construiu um estúdio pronto para filmar / editar em HD em Coimbra do nada, num equipamentos gigantesco com todas as comunidades que se podem imaginar. Fora de série. E não há uma gota de superioridade moral nas suas palavras.

Só prova que com trabalho, tudo na vida pode ser feito. Só que em Portugal, o trabalho é uma merda do caralho e ninguém o quer fazer. Quer que as coisas apareçam feitas, que se façam sozinhas, que se desenrasquem no último momento. Lembro-me sempre do meu amigo que foi considerado um génio no primeiro ano de arquitectura quando teve de inventar uma desculpa para um engano básico. Ou de uma prova oral em que alguém passou de 10 para 16 porque não sabia mais nada sobre o assunto daquela disciplina sem ser o assunto dessa mesma pergunta - e então esteve 40 minutos a falar sobre o assunto, para estupefacção de todo o júri. Gente genial, mas demasiado desarrumada mentalmente para passar do bom ao fora-de-série.

Sinceramente, sempre me soube genial (sempre não, desde a faculdade. Aí no segundo ano. Antes disso era demasiado criança). Fora de série, acima de todas as medianias, mas caralho se me mexo. Se me ponho a andar. Se faço alguma coisa de útil para mim (já não digo para a sociedade - quero é que a sociedade se foda). Se decido que preciso de ter objectivos de médio prazo, se me decido a agarrar a alguma coisa com força suficiente para não a perder na primeira curva do percurso.

A necessidade de fazer um mestrado - e a oportunidade que me surgiu, de ser orientado por alguém que até eu, do alto do meu nariz empinado, respeito e admiro intlectualmente -, a necessidade de trabalhar o meu jogo se me quiser tornar num jogador de póquer a tempo inteiro. Na prática, a necessidade de fazer um plano, respeitá-lo, continuar próximo a ele o tempo todo, estudar a melhor maneira de queimar tempos mortos, de potenciar a minha vida para fazer algo de útil - mais que não seja para mim mesmo.

É capaz de ser uma ideia interessante. Mas agora vou jogar Tony Hawk Pro skater. Ou como dizia alguém um destes dias, ANTÓNIO FALCÃO SKATISTA PROFISSIONAL!!!

fuck life.

26 Outubro 2009

australia!!!!!!

Eu não costumo falar de poker aqui, mas isto pode ser de tal maneira life changing que achei valer a pena.



Para quem não percebeu, isto é um bilhete de 15.000 dólares. E perguntam vocês, QUINZE MIL DÓLARES? E eu digo sim, mas a questão não é essa. É um bilhete, o que quer dizer que não ganhei nada para lá de uma viagem à Austrália, estadia num hotel daqueles que só costumo ver em filmes e a entrada num torneio cuja entrada custa 10.000$.

Pretty sick, uma ida à Austrália na altura do Australian Open e a entrada num torneio daqueles que pode mudar uma vida, mais a possibilidade de ir conhecer sítios, pessoas e ambientes que só costumo ver no cinema...

Posso estar feliz, não posso?

04 Outubro 2009

cara, coroa e o caralho

O caralho porque este é um momento um bocado destrutivo. Estou naquilo a que gosto de chamar life tilt; o verdeiro life tilt é quando um jogador de poker pega em todo o dinheiro que tem e arrisca tudo numa jogada. Ou quando uma modelo falta a um desfile porque quer aproveitar a noite e acaba por ser do domínio público que não estava doente, apenas a embebedar-se numa festa privada. Para qualquer uma destas pessoas a vida segue, e as coisas vão passando, mas à uma marca que fica e que nunca irá ser esquecida: um grande erro cujas sequelas prosseguem durante dias, meses, anos.

Felizmente para mim, o meu life tilt resume-se a um desejo de auto-destruição mais ou menos profundo, mas curto no tempo e no espaço. É daquelas coisas que não podem ser partilhadas com ninguém, que não justificam uma tarde no psicólogo e que na verdade deixam poucas sequelas. Mas há momentos assim, que vão acontecendo e sucedendo e que só uma sobriedade férrea evitam que descabem em algo mais.

Isto é muito importante. Muito importante, porque vem ai mais uma grande revolução na minha vida. Vou passar a trabalhar a partir de casa. E talvez nem seja o trabalhar a partir de casa.

É o ser profissional de poker. Uma coisa estranha para a maioria das pessoas, mas que estranhamente tenho reparado ser mais bem aceite e compreendida pelas pessoas da minha geração do que alguma vez tinha pensado.

Há uns tempos passei três meses em casa a jogar poker, mas não sei se a palavra profissional se aplicava verdadeiramente. Porque na verdade era uma coisa passageira, eu só queria alguma coisa para trabalhar na minha área, para me poder realizar profissionalmente, para poder sair de casa e ser jornalista, que foi o que sempre quis fazer desde os 12 anos, quando decidi que isso de querer ser humorista era, vá, estúpido.

E então apareceu a possibilidade de ir ter um estágio não remunerado numa revista de informática, e não olhei para trás. Está a ser brutal, por várias razões: porque dão valor ao meu trabalho e porque consegui cumprir os meus objectivos pessoais, porque me tornei praticamente indispensável, porque gosto daquilo que faço, porque tenho um ambiente de trabalho único (pela positiva). Acima de tudo, porque provei a quem ainda duvidava que sou muito acima da média enquanto profissional, e tive óptimos professores para a função que estou a desempenhar.

Só que, passados três meses, é tempo de fazer um ponto da situação. Não quero passar 50 anos a pagar uma casa, não quero ter de viver a contar os trocos no final do mês, não quero trabalhar nos dias em que acordar de ressaca, quero poder sair à noite a uma terça-feira sem ter de pensar na quarta, quero passar tardes a apanhar banhos de sol enquanto vejo o por do sol, quero poder estar a almoçar durante uma hora, ir ao ginásio de manhã e não ter de dar contas a ninguém.

E, sinceramente, eu posso fazer isso, viver como um rei e ainda poupar para garantir o meu futuro. Isto e muito mais, a fazer uma coisa que não é sofrimento (pelo menos enquanto forem menos de 8 horas por dia), de que até gosto, que é desafiante e numa área em que ainda tenho muito a aprender. Sim, vou estar a jogar poker pelos próximos tempos.

Aquela ideia de que se era auxiliar de acção educativo para toda a vida, ou que se trabalha numa reprografia durante 20 anos ficou lá para trás. Da mesma maneira que, e como dizia a um amigo meu ainda à dias, ir viver para o Brasil não tem mal nenhum, mas também não é preciso estar já a fazer planos para regressar: as coisas vão acontecendo.

Claro que vou ter de colocar objectivos semanais e mensais bem definidos, que vou aproveitar esta oportunidade para ter um estilo de vida mais saudável (olá ginásio), para fazer algumas das coisas que ainda me faltam fazer (daquelas que não vou fazer aos 40 de certeza absoluta). Ter objectivos bem definidos e ter liberdade para ser feliz à parva, viver desafogado sem ser rico e continuar com esta confiança doida em mim (que andou perdida durante um ou dois anos). Acho que poucas pessoas com 20 e poucos se podem dar a este luxo, e eu posso: vou olhar para trás porquê?

Comecei a escrever isto irritado com a vida, por um misto de overdose de computador e uma sessão de poker em que fiquei 370 euros down (o que deve ser record para mim - apesar de ser perfeitamente normal para o nível em que jogo). A verdade é que escrever estas linhas me ajudou a arrumar ideias, focar energias e relembrar quem sou e para onde vou. Acho que é para isto que serve um blogue, e é uma parvoíce eu estar tanto tempo sem postar.

26 Agosto 2009

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24 Agosto 2009

isto é usar uma figura publica num anuncio

19 Agosto 2009

Life update

Olá dois leitores deste blogue.

Estou a escrever isto como quem vai a meio caminho para ver a tarde de atletismo na RTP2 que vai estar mesmo mesmo mesmo para começar, mesmo não havendo portugueses para competir.

Eu sei eu sei, faltam updates e notícias. Mas se há alguma novidade grande para dar, é que decidi que vou mesmo ser jornalista. Mesmo. Isso inclui começar a utilizar twitter e facebook duma maneira profissional (auch, doí), e dar o passo seguinte. Sim, comprar um domínio, passar umas horas a aprender a mexer em cms's (para já wordpress) e masterizar (isto existe) os meus conhecimentos de SEO e webdisign vão ser skills a desenvolver. Claro que fazer isto com full-time job e continuar a jogar poker em part-time vai ser muito complicado, especialmente pelas horas passadas a ler tutoriais e a mexer em código, tarefas enfedonhas e de que tenho fugido a todo o gás, mas que vão ter de acontecer.

Ando a ler um livro daqueles de gestão pessoal e assim muito giro: talent is overrated. Um editor duma revista para buisnessman que escreve muito funny e que tem uns argumentos, nada científicos mas muito bem defendidos.

Só queria dizer que não sei, ao certo, o que vai acontecer a este blogue. Não faz muito sentido, não tenho muito prazer em falar sobre a minha vida, mas também não o queria matar. Logo se vê.

02 Agosto 2009

O site favorito de Homer Simpson

Ou porque quando pensamos que chegamos ao final da Internet ainda somos surpreendidos.

26 Julho 2009

Lance perdeu a volta à Franca em bicicleta (e +)

Sim, perdeu. Fez terceiro, mas este post não é só sobre ciclismo.

Durante anos a anos (sete!) ele ganhou sempre, mas esse era o seu objectivo. Único objectivo. Ele vivia um ano a pensar nas três semanas da prova, fazia as subidas com meses de antecedência, escolhia os companheiros de equipa a dedo, alimentava-se e fazia tudo a pensar nessas 3 semanas. Tudo. Durante sete anos.

A questão que se tem de colocar é se aquilo é vida. Da mesma forma como os atletas de topo que desde os 13 anos vivem em centros de alto rendimentos (menos, se forem ginastas). Se era aquilo que ele queria continuar a fazer, depois de já ter provado ao mundo o que valia. Este ano ele fez outras provas, deu mais entrevistas, preparou-se de outra forma. Não pensou apenas no Tour, e fez terceiro lugar. Podia ter ganho.

A questão é mais do que velocipédica. É o sentido da vida que está em jogo. Se ficar na história vale a pena todo aquele esforço, se faz sentido abdicar de praticamente toda a vida, se trabalhar 16 horas por dia vale esse ordenado com quatro zeros com uma semana de férias por ano, se correr para chegar a essa reunião vale mais do que assistir à primeira prova de natação em que o nosso filho vai participar.

Eu deixei o meu "emprego" com ordenado bem acima do que qualquer recém-licenciado na minha área pode sonhar, com horário flexível.
E para quê? Para estagiar três meses, de borla, em algo que gosto MESMO. E que me vejo a fazer o resto da vida.

Só me assusta sentir-me tão sozinho, às vezes.

21 Julho 2009

prioridades


"nuna nos devemos preocupar com a direcção de actores num filme que não chega a ter algo a que se possa chamar argumento"

20 Julho 2009

TaPingYa | lord33

TaPingYa | lord33

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19 Julho 2009

Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (2008)

Algures no tempo, deve ter havido um estudo de mercado cujas conclusões foram flatulência, gajas e bizarria. Nada contra. Pessoalmente, até gosto da ideia de filmes que incluem gajas e situações bizarras em geral (o escatológico nunca me encheu as medidas enquanto objecto de criação artística, e por isso passo a parte das flatulências). A questão é quando estas situações caricatas são totalmente desconexas, a história é um pretexto para se mostrarem mamas, se produzir o mais baixo humor escatológico e baixar ainda mais o padrão nas comédias estúpidas.

Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (no português “Grande Moca, Meu! A Fuga”) é a sequela de uma das últimas comédias estúpidas decentes (Harold & Kumar Go to White Castle – “Grande Moca, Meu!”), que teve relativo sucesso comercial e me surpreendeu, até a mim, por não ter sido corrido por toda a crítica a bolinhas pretas. Abordava estereótipos, ideias preconcebidas, partia duma premissa idiota como móbil para toda a acção e tinha punchlines subtis e, em alguns momentos, quse ternas. E tinha uma história.

O ponto de partida continuam a ser dois jovens americanos filhos de emigrantes e muito ganzados, na idade do nem-adulto-com-emprego-nem-teen-imaturo que andam por aí. E a verdade é que algumas das coisas ainda aqui estão. O filme continua a abordar estereótipos e ideias preconcebidas, por exemplo – só que agora parecem metidas a martelo, tal como algumas piadas quase-conseguidas e todas as situações criadas do nada, sem pés nem cabeça apenas porque tinham de acontecer.

Mas a grande diferença é outra. Enquanto que no original os nossos quase-heróis eram os responsáveis pelo progresso da acção, agora é acção que os prossegue e lhes indica o caminho. Em vez de puxarem por nós, são os rapazes que são arrastados e se vêm enrolados dentro da história. Depois é o que já se disse: as situações parecem criadas artificialmente em vez de irem acontecendo, as punchlines são forçadas e sabemos quase sempre o que aí vem. Nunca há a verdadeira surpresa, aquela totalmente inesperada e que nos obriga a dizer WTF? Nunca.

Agora, isto faz um filme mau. Um filme péssimo precisa de não ter história, e mais do que não ter história, ponta por onde se pegue, interpretações válidas e chegar a ser aborrecido. O problema é que este Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay reúne todas estas características. Fazer remakes baratos e sem sentido pode encher um pouco mais a carteira dos grandes estúdios, mas no longo prazo esta política pode saír-lhes cara. É que com filmes destes, não fica muita vontade para voltar ao cinema.

18 Julho 2009

um dia vem todo

ou a verdadeira razão porque nunca se desiste.

11 Julho 2009

+ tour e ciclismo em geral

Pela primeira vez tenho a sensação que o armstrong pode ganhar o tour. Isto pode parecer estranho, mas o ataque que Contador fez ontem deixou-me parvo com a situação criada, obviamente que o ciclista da astana que deveria ter ido para a frente deveria ter sido um segunda linha, tão perto da meta estavamos num sitio onde só se podiam ganhar um míseres segundos e onde os gastos (a nível de esforço, psicológicos caso de não conseguir chegar) são claramente superiores a esses segundos. Sinceramente penso que a frieza de Amstrong ainda vai dar muito que falar, se ele chegar a uma fase final muito perto do contador digamos que em contra-relógio vai ser muito curto para o Contador, o norte-americano vem em subida de forma e sinceramente se ele acabar a segunda semana muito perto do espanhol (30s), com a experiência e a subida de forma pode chegar... Claro que as odds das casas de apostas continuam muito malucas (é a velha história das linhas serem colocadas para o público e não pelas hipóteses reais... neste caso começa a atingir dimensões rídiculas). Contador ainda é favorito, mas não tão favorito como já foi.

Acho que é obrigatório o diário do Sérgio Paulinho na EuroSport. Muito bom, claro que sempre com o cuidado de não revelar muito de dentro da equipa mas faz parte do esquema das equipas, comunicação e dar mediatismo aos seus corredores passa também por ter uma comunicação tentacular, chegando a vários pontos e esta é mais uma forma de divulgar o nome, neste caso da capital do Cazaquistão (WTF is going on with cycling?) mas é um elemento sem dúvida essencial, tal como são os twiters (ficariam espantados com a quantidade de ciclismo-related twitters que andam por aí) e os sites de equipas dinâmicos e com muita info. Faz parte.

Fiquei muito impressionado com as palavras do Sérgio Paulinho noutro dia. Sinceramente não sou muito fã do ciclista em questão, e fiquei sem saber bem o que pensar quando ele disse que mais tarde gostaria de ficar ligado ao ciclismo, mas não como director desportivo ou assim mas antes... mecânico. Mecânico. O meu avô foi mecânico de ciclismo, nada contra, sinceramente acho que é algo de nobre e subvalorizado no ciclismo (como no hóquei em patins, por exemplo), mas alguém que é medalhado nuns JO, que corre em equipas de topo anos e anos seguidos quer-se com mais ambição, prespectivas mais largas, sei lá algo mais. Sinceramente gostei pela humildade que mostrou (e que falta muitas vezes aos ciclistas que andam perto do topo e acham que têm de ser alguém "importante" no mundo do ciclismo depois do final da carreira), acho que muita gente podia aprender com ele. Mas, sinceramente, acho que é um excesso de humildade que também lhe tolhou a carreira, que o colocou nos primeiros anos da carreira (ainda enquanto sub-23) numa posição em que poderia ter sido muito mais do que vai acabar por ser... E acho que ele vai sentir isso quando voltar para Portugal e ganhar uma volta em final de carreira com relativa facilidade e começar a perceber todo o potencial tático (que lhe pode ter faltado no momento mais importante da carreira, os JO em que fez prata) e técnico (especialmente em contra-relógio) que desperdiçou ao longo de anos... Eu percebo que mais vale um pássaro na mão (ou um petro-dólar) mas às vezes fico a pensar que o ciclista português passou ao lado de uma grande carreira, mais do que Azevedo (era braço-direito dos chefes de fila, quase sempre) ou mais do que vai passar a nova geração (sinto que vem aí algo de muito bom para o nosso ciclismo).

08 Julho 2009

hoje vou falar de ciclismo

Como quem me conhece sabe, uma das coisas que nunca vou conseguir explicar é a paixão pelo ciclismo de estrada. E hoje tenho vontade de falar sobre o tour, e um twit não chega.

Ontem aconteceu uma coisa estranha - os dois primeiros da volta à França ficaram no mesmo segundo. Numa altura em que o tempo total deve ir em mais de meia dúzia de horas, em que já houve houve dois contra-relógios isto pode parecer estranho, mas faz-me lembrar uma volta a Portugal em que dois homens da Maia-Cin ficaram no mesmo segundo no contra-relógio antes da subida à torre (ainda havia etapa de consagração)... Coisas que ficam na memória, lembro-me bem da emoção na cara do Manuel Zeferino - que logo se foi no dia seguinte quando o José Azevedo teve o seu dia mau (tinha sempre um) na subida à torre... Não me lembro do ano mas foi algo de maravilhoso, numa altura em que a volta ainda era desenhada também para criar emoção e emotividade e não apenas para vender a cidades de Portugal a partida e a chegada como evento mediático com direito a João Baião e tudo.

Mas isto para dizer que aconteceu o melhor que podia ter acontecido à Astana. Não o melhor que podia ter acontecido a Amstrong, que ele pode nunca mais voltar a ter esta oportunidade, mas deixar nas mãos de outra equipa a amarela tira peso de cima, oferece à concorrência a honra de vestir de amarelo por estes dias (+ uns trocos que entram, mais tempo que se fala da equipa... Há que defendê-la) enquanto se poupam esforços para a diabólica terceira semana sem obrigação de marcar o ritmo no início das etapas, sem ter de ir para a frente do pelotão, sem queimar energias desnecessariamente e mantendo o foco naquilo que realmente interessa - a amarela no final das três semanas. Só que o senhor que vai vestir a amarela (poucos duvidam) no final das três semanas vai ser Contador, e para o impacto mediático, para trazer mais público, capas e interessados tinha sido bom o Norte-Americano passear de amarela por uns dias. Claro que assim a Astana pode muito bem poupar-se ao desgaste mediático que seria não proteger o camisola amarela mas sim o chefe de fila, é preciso não esquecer, nem o director desportivo tem de tomar decisões difíceis no actual "real madrid" do ciclismo, nem a já partida equipa se parte ainda mais.

Oh, e nada de passar tardes a assitir aos últimos 100 km. de etapa, para variar. Mas um gajo aguenta (há sempre os resumos ao final do dia :)

27 Junho 2009

LIBERTEM O PACOTE LABORAL!!!!!!!!

Vinha no autocarro a ler tipo o expresso todo tranquilo, que um gajo ao sábado de manhã o que quer é saber o futuro da Gronelândia e os detalhes do novo livro dum jogador da bola dos anos 80. Ya ya ya.

E depois lá pelo meio que tipo os cebola mol apresentar "o fim dos cebola mol" esta semana no casino de Lisboa. OMG OMG OMG NÃO VOU PERDER NÃO POSSOOOOO ISTO VOU TER DE IR VOU TER DE IR!!

Depois lá percebi que é só um cd novo. Ainda vou tentar ir, mas não se trata de algo essencial e fundamental e vital, mas sim, ELES ESTÃO DE VOLTAAAAAAAA!!!

E é tão essencial porque ficou um vazio ali. Podem ter vindo ao de cima irmãos catitas e kalashnikov e come restus e ena pá 2000 mas estes tipos são especiais, não só pela maneira como entram nas personages mas também pela diversidade de estilos que encarnam, pela qualidade das letras, pelo cuidado que colocam em cada referência e em cada detalhe por detrás de toda a anarquia de temas como este libertem o pacote laboral... Às vezes acho que há géneros musicais que por não serem nem populares nem eruditos vêm os seus prencipais nomes ficarem esquecidos e as referências a irem co caralho porque não houve ninguém para cuidar desse património. O comic music é um exemplo.

19 Junho 2009

Eu vi primeiro

Posso estar muito enganado, mas isto vai ser tipo Susan Boyle. Vai aparecer nos media, reportagens de TV e artigos em jornais. Só acho estranho não haver nada feito sobre esta estória, que às vezes por coisinhas de nada fazem 1313442 artigos bue interessantes (not), e neste caso gastava mesmo de saber algo mais e não o consigo fazer.



Whoever DaWurda is.

18 Junho 2009

martelinho, não corres sais.

Outro dia ia na rua e passou por mim um velho conhecido que disse "então, és vivo?" e eu respondi-lhe "não, vê lá que morri de acidente de automóvel o mês passado" e ele "a sério" e eu "ya..." e ele "tás a gozar comigo" e eu aí parei para pensar.

Tipo isto de estar vivo ou morto é totil importante para mim, a sério. Só que tipo isto depende bué dos referenciais e dos pontos balizadores que norteiam a definição de estar vivo e morto, e o que para mim é estar vivo para as outras pessoas pode ser estar morto.

Estou mais feliz sorridente e bem disposto do que alguma vez estive nos últimos dois anos... A vida não corre perfeita mas com o mindset certo podemos fazer maravilhas, a nível do orgulho próprio (vulgo auto-estima) e da ocupação do tempo, largar hábitos velhos e torturantes... por outro lado isto de colocar o mindset certo porque sabemos que com ele vamos mais longe, somos mais felizes e vivemos com uma paz interior mais verdadeira tem muito que se diga.

Desde logo porque isso é reconhecer que se trata de um mindset, duma lente com que encaramos a realidade e nos obriga a ver as coisas assim. Mas isso faz parte da vida, consciente ou inconscientemente está sempre lá e quem não reconhece que tem uma lente que ajuda a encarar a "realidade" é porque a tem sem dar por isso. E eu acho muito bem, o mindset correcto faz maravilhas - olhem para o Sócrates que só faz merda à quatro anos e com o mindset certo nunca teve problemas com isso: "eu não me engano, eu acredito, confiança, determinação!!!" VAMOSSSSSSSSS. Eu próprio vou encontrando o meu, a cada dia.

Já no estado de auto-consciencialização a que eu me proponho chegar as coisas complicam-se: conjugar uma "lente" positiva confiante e em que a paz de espírito seja elemento chave com o reconhecer de erros, defeitos e aspectos a melhorar é muito difícil - que as avaliações negativas não entrem no ego, que não o destruam de um dia para o outro é uma ciência.

Mas reconhecer o errado até nem é muito complicado. Quando nos questionamos, quando perguntamos a nós mesmos "e porque continuas a fazer isto outra e outra vez", aí estamos a ir de encontro aos limites do humano ao querer consciencializar o dark side, aquela parte de nós que odeia perguntas e quer fugir para a frente mesmo que tenhamos falhado uma bifurcação lá muito atrás e nos recusemos a ir à bifurcação.

Eu falhei a bifurcação lá muito, muito atrás. Agora voltar é muito ridículo, até porque eu sei que lá à frente vou voltar a encarreirar. Tenho a certeza. Mas também sei que vai custar muito mais do que podia ter custado.

Eu estou vivo. Muito. Mais ainda. Só por dizer que ás vezes pareço estar morto, e vou parecer durante uns tempos. Mas entretanto, sem dar por isso, vou estar vivo como nunca.

Esta é beleza daquilo a que chamo mindset.

11 Maio 2009

losing out might feel okay all life

Everyday, well it's the same
That bong that's on the table starts to call my name
I take a hit and zone out again
I'll be paranoid and hungry by a quarter to ten
Watching reruns on my TV
I'm laughing off my ass at Three's Company
I don't know if I'm understood
But hearing Jimmy Buffet never sounded so good

Your memory's gone and so is your life (your life)
Mota Boy
But losing out just never felt so right
Your enemy's you and so is your life (your life)
Mota Boy
But losing out might feel okay all night

Mota!

I'm driving down to the barrio
Going 15 miles an hour cause I'm already stoned
Give the guy a twenty and wait in the car
He tosses me a baggie then he runs real far
I take a hit but it smells like a clove
Oh fuck I got a baggie of oregano
This ritual is destroying me
But I guess it could be worse
It could be methedrine

Your memory's gone and so is your life (your life)
Mota Boy
But losing out just never felt so right
Your enemy's you and your couch is your life (your Life)
Mota Boy
But losing out might take
Losing out might take you all night

Mota!

Your memory's gone and so is your life (your life)
Mota Boy
But losing out just never felt so right
Your enemy's you and this is your life (your life)
Mota Boy
But losing out might feel okay all night (all night)
Yeah, losing out might feel okay all life


oh que vai fazer um ano... a vida toma caminhos do caralho.

10 Maio 2009

Os castores pululam paulatinamente

Vim-me embora por comum acordo. Não sei se aguentava mais um ou dois ou seis meses ou um ano a trabalhar num local estupidificante, rodeado por pessoas estúpidas e onde o meu intelecto era subaproveitado. A única razão porque ainda pensei “e se” quando disse “ENTÃO ATÉ SEMPREEEEEEEEE” foi a minha família e os meus amigos e conhecidos e aquela sensação

- E então andas a fazer o quê?

- Olha sou um falhado na vida do caralho e não tenho nada para fazer e um inútil para a sociedade. Falhei completamente enquanto pessoa e não sirvo de exemplo para ninguém.

A sério, passo a vida a pensar que fiquei uns metros aquém do que era suposto em tudo o que fiz e vou fazendo. Quando me basta parar 5 minutos para pensar e chegar à conclusão que tenho a vida toda fodidada é mesmo por ter vergonha disso. Surreal, mas não tanto como os anos que foram precisos para aqui chegar, ao invés dos 5 minutos que era suposto isto ter durado.

Quem nos conhece bem entende sempre.

18 Abril 2009

Opah

e às vezes basta uma frase, tipo solta, do nada, assim só porque sim, para fazer um gajo acreditar pela 12345653414 vez.



Fim de semana para descansar (minis, alguém?), três dias de quase-morte, uma vida para viver =)

14 Abril 2009

Isto não é news dump, mas quase

Tenho passado os últimos dias a actualizar-me de noticias sobre determinadas temáticas em que tenho interesse particular, sendo o mundo dos videojogos um deles. Este video do público tinha-me passado, mas roça o imperdível (para quem segue o tema, claro).