15 agosto 2011

Hi and See ya

Nos últimos tempos só não tenho pensado em apagar este blogue de uma vez por todas porque não me tenho lembrado que este blogue existe.

Os últimos 2 anos foram uma verdadeira merda. É um bocado estranho tendo em conta o que viajei, que não tenho problemas de dinheiro, que não fiz nada de que me arrependa verdadeiramente, mas é tudo muito mais o que não: o que não viajei, o dinheiro que não fiz, as coisas que não fiz.

Parando um bocado para pensar, tenho imensa vontade de destruír e-mails e sites pessoais, pegar na minha mota e partir, algures pela europa, sem telemóvel nem nada que se lhe pareça, e começar de novo. Lá para o centro ou lá para o outro lado. A minha vida tornou-se numa merda e nem sou capaz de dizer às pessoas de quem ainda gosto que sim, tu és importante para mim. Que não, não me estou a cagar para ti - só me estou mesmo a cagar para mim.

Isto e depois tentar passar a ideia às pessoas que vejo de ano a ano que a não, a minha vida não está toda fodida e tenho uma vontade enorme de me atirar da ponte, e falar de mim e dizer isto e aquilo e não saber ouvir e não conseguir dizer tenho saudades, quero voltar a ver-te, que é feito de ti? Isto porque o orgulho é uma coisa terrível. Posso estar absolutamente na merda mas não sou capaz de o dizer a ninguém, nem a mim.

Ya, tenho imensa vontade de partir e ir para algum lado longe e começar de novo. Simplesmente não sou capaz. Sempre tive à minha volta pessoas fora de série, nunca percebi bem porquê, mas tive, e a minha vida chegou onde chegou por minha causa, por não pensar em mim e nas coisas. Ia tudo acontecer naturalmente e iamos ficar todos felizes no final mas acreditar demasiado nisto lixou-me os planos em geral e a vida em particular.

Não interessa muito porque no final depende tudo de mim e sinceramente não sei se ainda consigo acreditar... não é que tenha alguma coisa porque valha a pena lutar, e essa é a parte triste. Depende tudo de mim e ainda me estou a cagar

01 fevereiro 2011

Algures por ai

Estou em Londres, a fazer tempo para ir apanhar o aviao com destina a Lisboa. Tendo em conta que nao dormi nas ultimas duas viagens (9h + 13h) e que estava acordado ha 20 horas quando apanhei o aviao do outro lado do mundo, penso que se torna bastante obvio o facto de estar com a cabeca prestes a explodir.

Por incrivel que pareca, e depois de uns 15 dias muito mediocrezinhos (em que ao menos nao ouvi falar de FMI, PIGS e Irlanda), em que tive bastante momentos dignos de figurar no failblog (sendo o mais epico o bilhete para a rod laver arena comprado para um dia antes da minha chegada a Melbourne) e gestos de consumismo capazes de me fazerem corar assim que dormir 48 horas (com destaque para o dia em que me lembrei de ir tomar o pequeno almoco a um hotel de 5 estrelas porque nao tinha nada para fazer) sinto-me bem.

Nao e que a minha vida nao seja uma merda, e que nao tenha brutais mudancas de humor e me sinta queimado com todas as decisoes erradas dos ultimos 5 ou 6 anos. Que e.

Mas nestes 15 dias em que nao mexi uma palha tambem tive uma ou duas conversas sobre o sentido da vida e o para onde vamos com pessoas que nao me conhecem de lado nenhum. E tempo livre a mais.

Estou sempre a espera que haja um clique que, magicamente, me faca parar de usar "que" cada vez que escrevo mais do que duas linhas, mas, mais importante, que me faca parar, olhar, mudar. E, desta vez, tenho esperanca.

15 janeiro 2011

Porque há sempre um pequeno Maynard ao virar da esquina

Um bom assassino profissional, Maynard, é como um bom actor, um bom político ou um bom vendedor de pentes. Importante é que se saiba o que se está a fazer, com eficiência. E, no teu caso, com sobriedade.

Os últimos posts que escrevi aqui para o blogue foram grandiosos e duma certa maneira importantes para perceber aquilo que me vai na cabeça. Infelizmente as coisas que lá estão são tão pessoais que não os consegui voltar a ler aqueles. E também não os consegui publicar aqui.

De certa maneira, algures a meio do meu secundário percebi que ia ser tudo aquilo que quisesse ser, de jogador da NBA a físico quântico (apesar de não saber o que queria dizer quântico). Claro que durante a faculdade estive mais preocupado em curtir e cenas do que nisso, porque eu lá no fundo eu já sabia que só queria ser jornalista. Isso de conquistar o mundo e deixar um legado é tudo muito bonito, mas dá trabalho e um gajo tem mais do que fazer.

O que é estranho e quase macabro é que lá para o final da faculdade a pessoa cheia de ideias, mundos e que adorava pessoas, coisas, cheiros e pequenas estórias do fundo da rua desapareceu. Perdeu a confiança nas pessoas, nas coisas, na política, na humanidade. Perdeu o amor. E o amor próprio. E tudo o que está à volta.

Não faço puto de ideia de como é que todas essas coisas se recuperam. Nenhuma. O problema é que não vivo, sobrevivo, e cada vez vivo menos, cada vez tenho menos razões para viver, e mesmo para sobreviver. Depois de deixar de acreditar nos outros e em mim, tenho vontade que os outros deixem de acreditar em mim. Sim, a minha espécie de vida é uma merda.

Quarta saio de Portugal e vou passar mais quinze dias à Austrália. Sim, Open da Austrália e Aussie Millions, bons vinhos, night life e não sei quê. A vida tem coisas fodidas, mas só volto a pensar nelas em Fevereiro.

15 setembro 2010

antigamente era diferente

Passei os últimos dias a sair à noite e fazer coisas estúpidas daquelas que era suposto nunca ter deixado de fazer, dançar, curtir, fazer e acontecer ser GRITAR. Yap, toda a gente pode dar-me 30 anos mas eu ainda sou uma criança pequena por dentro e não, não quero deixar de ser. Acho que demorei demasiado tempo a perceber que até posso usar camisa e sapatinho de vela, ter opiniões sólidas como rocha e estar por minha conta e risco no mundo, mas que ter tudo "ok" e "tranquilo" não me ajuda tanto quanto isso. A Estabilidade emocional também pode vir de sermos pessoas "como deve ser", mas é muito mais do que isso.Não me lembro da última vez que tinha ficado tão destruído dois dias seguidos, quanto mais três ou sete. Tenho passado semanas seguidas "tranquilo", a pensar na vida, e a verdade é que não chegava a lado nenhum; uns quantos dias de festa e ressaca, e tudo parece muito mais claro. Estou feliz.

05 agosto 2010

Real life grinder

Ou porque um dia vais runnar pior do que alguma vez achaste possível.


Pelas minhas contas, devo jogar poker há três anos e uma semana. Estava em casa a estudar para uma das cadeiras mais chatas da faculdade (semiologia - e não, passado este tempo todo nem sei explicar bem o que é que é isto da semiologia), quando comecei a ler uma thread num fórum que frequentava à altura. Passadas umas horas estava a jogar freerolls.


Tive aquela run incrível que toda a gente tem (ou pelo menos devia ter) ao inicio. Passados uns dias tinha uns trocos na conta, e comecei a jogar torneios de 2€. No últimos dos torneios que tinha dinheiro para jogar, cheguei ao dinheiro e ganhei uns 30€. Escusado será dizer que passadas umas horas estava a jogar um torneio de 10€.


Coisa estranha, não me deixavam fazer all in nesse torneio. Demorei uns quantos minutos a perceber que aquilo era pot-limit, mas nada que uma pesquisa no goolge não resolvesse. E, como manda a tradição do bom estreante nestas coisas do poker, acabei por ganhar o torneio. Foi então que, com cerca de 180€ na conta, fiz a coisa mais inteligente que se pode fazer: inscrevi-me num torneio de 50€.


Bublei. Com uma bad bet. Não me lembro bem dos pormenores, mas tinha AK e ou outro jogador dominado quando perdi. Foi então que me lembrei dumas coisas sobre gestão da banca que tinha lido noutro lado qualquer, e percebi a coisa: não é que eu não fosse um jogador muito melhor que todos os outros - só tinha de jogar mais baixo porque às vezes levamos pissadas.


Durante o quarto ano de faculdade, tive uma depressão mais ou menos grave. Não fui a mais do que cinco ou seis aulas, passei semanas seguidas dentro de casa, não devolvia chamadas e odiava a vida. Acabei por usar muito desse tempo para jogar poker, mas não era o jogo que me obrigava a ficar em casa: era só uma boa maneira de passar o tempo, juntamente com os filmes e a eurosport.


Durante esse ano, além de ter perdido aquele que devia ter sido o melhor ano da faculdade, não joguei muito mais do que freerolls e torneios de buy in baixo. Perdi parte da minha vida com as coisas mais estúpidas a nível do tempo/lucro.


Felizmente tive amigos. Que me vieram buscar, me obrigaram a sair do casulo e acabei a faculdade nesse mesmo ano, mesmo se na maior parte dos exames estava a perguntar ao colega do lado como é que a disciplina se chamava mesmo. Arranjei um emprego péssimo, como qualquer bom finalista de comunicação social, mas era feliz.


Voltei a falar com as pessoas, deixei de ter medo de ver pessoas, voltei a ser sociável. Voltei a fazer coisas estúpidas e voltei a perceber como era um fora de série. Em tudo, mas mesmo tudo o que fazia na vida - de conversar com as pessoas a aparecer com ideias e soluções inovadores até no mais monótomo dos trabalhos.


Ao mesmo tempo, ganhei a confiança que me faltara ao longo dos últimos meses para dar o passo seguinte. Comecei a grindar os sngs de jackpote da Ipoker, e dei por mim a fazer 3 e 4 mil dólares de rake por mês - e a ganhar mais no poker do que no meu emprego.


Passados seis meses, e acabado o contrato vim-me embora. Vivi muito feliz com o dinheiro que fazia no poker todos os meses, que me servia para viver à grande e à francesa como se não houvesse amanhã - noite, copos, consolas, vícios estúpidos. Era um gajo feliz.


Acho que não respondia a uma única oferta de emprego durante 3 ou 4 meses. Até que me apareceu um estágio não remunerado na precisa área que eu sempre quisera trabalhar - imprensa escrita. Fui à entrevista mais por descargo de consciência de quem me acabou por escolher do que por outra razão qualquer (mais tarde acabei de saber que só fui chamado... porque tinha voluntariado no currículo!).


Com a quantidade de auto-confiança que tinha em cima, foi fácil ser o escolhido. Foi uma altura da minha vida em que tudo o que tivesse feito, tinha feito bem, tinha corrido conforme o previsto. Era difícil falhar. Passados três dias, eu, que só devia estar a fazer a parte de Internet, estava a fazer artigos para a versão escrita. Foi só um artigo para "desenrascar", mas logo a seguir veio outro. E outro. Passados quinze dias, quando uma das pessoas em full-time saiu a decisão foi a mais natural: fiquei eu a escrever um sem número de páginas para a edição escrita, arranjava-se um editor novo, mas não entrava mais ninguém para a empresa. Tao simples quanto isto.


Ao mesmo tempo, continuava a jogar poker - e era esse o meu sustento. Mais difícil de conciliar, mas ainda assim fácil de atingir. Com toda a confiança que tinha em cima, aproveitei esta fase, em que era ganhador em SNGs, para passar aos cash games - e entrei logo em NL50. Ganhei uns 30 buy ins em 20 mil mãos, e achava-me um génio. Decidi jogar um satélite de 500$ e ganhei-o - fui jogar o Aussie Milllions à Austrália.


Passados os três meses "à experiência" que na verdade foram 2 meses e meio em full time, não aceitei a proposta que me fizeram. Não me via a trabalhar das 9 às 6 para ganhar um ordenado mínimo. Não quando tinha meses a ganhar várias vezes isso no meu part time. Assim, tornei a revista no meu part-time e o poker no meu full time.


Fui à Austrália, vim, tomei uma decisão: dedicar-me a isto a sério. Foi em Fevereiro. Logo no primeiro mês ganhei uma estupidez de dinheiro. No ganhei bem. No terceiro menos. O quarto ainda menos. Depois tive dois meses terríveis. Foi quando me queixei a alguns amigos de como os meus meses eram terríveis que comecei a perceber o estúpido da situação: um mês terrível para mim ainda são mais de mil euros.


Tornei-me céptico. Analítico e carrancudo. Frio, como tem de ser o bom jogador. Sem medo, sem pena, sem sentimentos nem coração. Deixei o jornalismo para trás, o sonho da criança de 12 anos, imatura e desconectada da realidade. Que me seguiu durante mais de dez anos.


Esqueci-me do que dizia ao meu pai, quando ele me pedia para não seguir o jornalismo. Que não queria ser rico, só feliz. Que não tinha interesse nenhum em ser advogado e ter uma profissão que não me completava só porque assim "ia ser alguém na vida". Que não me ia inscrever em nenhuma juventude partidária porque tinha os meus ideias. Que podia acabar sem nada, mas feliz.



Nos últimos meses, percebi quase todos os erros que fiz. E, ainda assim, não tenho maneira de os corrigir. Não tenho sonhos, não tenho objectivos, não tenho orgulho em mim nem em nada do que faço. Acho que não mereço as outras pessoas, e não me dou só porque não tenho nada para dar. Deixei de estar informado, de saber tudo o que passar e de ser um poço de cultura gera. Foi-se a última gota de auto-confiança. Morreram os sonhos, a infância e a criança que eu era. Fodasse.


Em dois saí da onda de maus resultados que me assolava. Ganhei 5k num torneio, sem saber ler nem escrever. Ganhei um satélite no casino do estoril, que fui jogar mais contrariado do que a gosto. Continuo a odiar, a não saber se quero ver pessoas e a não me dar. A não ter sonhos. Mas talvez isto seja o inicio de uma coisa totalmente diferente.


A outra hipótese é não ser. E a outra a Tailândia.

Adenda.: Posso não ter coragem para o dizer, mas sim, sou um jogador profissional de poker. Sim, o mundo é um lugar estranho.

13 março 2010

O que a final dos 3.000 metros nos diz sobre a sociedade

Mais uma vez Portugal esteve numa final internacional, no que toca a atletismo. Desta vez foi nos mundiais de atletismo em pista coberta, e como não podia deixar de ser o meio fundo português continua a ser a disciplina onde o nosso sector feminino tem resultados mais sólidos. Como bom português que sou vi a prova, e por incrível que pareça há muito mais para dizer do que as posições finais.

Há todo um conjunto de mudanças sociais que se espasma na atitude das atletas portuguesas. É que ainda há uns anos as portuguesas estavam encolhidas, queriam que não se desse por elas e andavam sempre perdidas no meio do pelotão. As portuguesas, muito fechadas, eram o contraponto de outras nacionalidades - como por exemplo as norte-americanas e as caribenhas - que diziam adeus antes das provas, sorriam, mandavam mensagens lá para casa e mostravam uma descontracção sincera.

Hoje as portuguesas foram americanas. Para lá da pressão de serem as melhores não africanas entraram sorridentes, disseram adeus para casa, frases soltas para a câmara, riram - e foram as únicas a faze-lo. Lindo. E depois ainda correram, a Jéssica no seu estilo eu-vou-na-frente-e-logo-se-vê e a Sara Moreira mais resguardada, para tentar tudo nas últimas voltas: não, ainda não têm nível para as africanas. Mas há um outro Portugal, que se mostra, que tem orgulho próprio, confiança, que sorri e que encara a vida de outra maneira. Adorei ver a Jéssica a dizer que as africanas não eram inconvencíveis.

É um país em mudança, Portugal. Na sociedade, na vida e nas pessoas. Não sei se para melhor - mas é um país em mudança.

06 março 2010

e no entanto ela move-se

A vida é feito dessa coisa maravilhosa que é o movimento. Não tanto o estar aqui e ali e vir, mas mais no sentido em que o estagnar deixa qualquer um parado, sem crescer, igual. Agora, depois, sempre.

Um destes dias disseram-me "e não queres ir dar formação a putos num bairro carenciado?" e eu parei dois sengundos porque é de bom tom deixar passar um tempo entre perguntas e respostas para não parecer que conhecemos a outra pessoa bem ao ponto de saber que aquela pergunta vinha aí - e disse que sim. Se eu gosto de putos, não, não gosto. Se a minha costela de esquerdista radical estava a pulular para voltar ao de cima face a este céptico em que me tornei, não, também não. Mas a vida tem destas coisas, de aceitar desafios porque nos fazem crescer, porque nos fazem sentir bem, porque nos tornam menos gente e mais pessoa.

Houve uma ocasião, há coisa de mês e meio, que me disse de que era feito. Foi quando cheguei à Austrália passadas 24h de voo, e não tinha hotel para ficar nem conhecia ninguém nem sabia o que ia fazer porque era de madrugada e estava tudo fechado. A ideia de estar do outro lado do mundo, longe de tudo, sem referências nem bases nem nada e mesmo assim achar esse momento maravilhoso foi algo de único. Que me disse o que é que me andava a faltar - coisas. Porque coisas são bem mais do que as pessoas pensam que são: experiências ou sentimentos que não se descrevem assim dum momento para o outro - e como não se descrevem assim, numa palavra, usamos este chavão das coisas, que serve para tudo.

Sinto falta disto, caralho. A culpa é minha, que trabalho a partir de casa, que me recusa a passar por experiências limite que deveria ter experimentado à cinco ou seis anos atrás, que mne acomodo. Mas a verdade é que estes últimos anos me fizeram amadurecer, crescer, pensar um pouco mais. Fiz tanta merda, tanta coisa errada, fui tão maricas em tantos momentos, tão convencido noutros e tive medo, muito medo, mas mesmo muito, vezes demais. Mas agora sou crescido, e sei o que sou e para onde vou e já não há muitas surpresas. Que seca do caralho.

29 novembro 2009

Esta semana comprei o sol

E não é que aquilo tinha coisas interessantes pelo meio? A sério, tipo um filme de teenagers como oferta e a revista cheia de artigos interessantes (a sério, se eu fosse director da revista do sol esta não seria muito diferente da que saiu para as bancas esta semana...). Entre as coisas que me pareceram cheias de interesse contam-se o tema de capa e um artigo sobre futebol, mas também senti a falta da página de vinhos e do José Quitério lá pelo meio.

E pergunta-me alguém: porque raio é que tu, que não sabes fazer um soufle em condições, te preocupas com a página de culinária do expresso? Bem, a verdade é que a página de culinária do Expresso é bem mais do que uma simples página de culinária, é todo um manual de:

1. Como fazer 2/3 do texto em torno do acessório sem que este perca as qualidades intrínsecas;
2. Usar expressões cujo significado desconhecemos, mas que após uma breve consulta do priberam podem servir para impressionar amigos / engatar miúdas com 18 anos que são bué independentes, estão no primeiro ano da faculdade que adoram "cinema francês".
3. Aprender;
4. Dizer mal, mas com boas maneiras e sem se ser desagradável.

Esta última alínea era utilizada pelo José Quitério à coisa de duas semanas, quando escreveu um texto muito simpático em que dava a entender que a comida não era nada de especial, e o serviço era mau - ao alcance de poucos.

Voltando ao sol, e à sua revista, outro ponto de interesse era o artigo sobre o estúdio 33 de Luís de Matos. Eu sempre gostei da personagem Luís de Matos, mas depois de saber que o rapaz abandonou a faculdade em que dava aulas para se dedicar à magia, e que tem a terceira maior colecção de livros de magia do mundo há uma coisa fascinante: o rapaz não me parece nada pretensioso. A sério, dois terços deste país (e digo deste país porque não conheço o mundo) tem a mania que podia ter sido o maior, que podia ter sido o próximo Björn Borg se não tivesse nascido em Bragança ou o próximo Mikhail Kalashnikov se tivesse tido dinheiro para seguir em frente com o seu projecto.

Claro que isto não era grave, se o outro terço não estivesse convencido que é o melhor. Que é o gajo que mais percebe de sistemas táticos com alas basculantes do bairro ou que melhor joga à sueca no café da esquina. Temos um fado de termos gente genial a mais em Portugal.

Mas o Luís de Matos não, construiu um estúdio pronto para filmar / editar em HD em Coimbra do nada, num equipamentos gigantesco com todas as comunidades que se podem imaginar. Fora de série. E não há uma gota de superioridade moral nas suas palavras.

Só prova que com trabalho, tudo na vida pode ser feito. Só que em Portugal, o trabalho é uma merda do caralho e ninguém o quer fazer. Quer que as coisas apareçam feitas, que se façam sozinhas, que se desenrasquem no último momento. Lembro-me sempre do meu amigo que foi considerado um génio no primeiro ano de arquitectura quando teve de inventar uma desculpa para um engano básico. Ou de uma prova oral em que alguém passou de 10 para 16 porque não sabia mais nada sobre o assunto daquela disciplina sem ser o assunto dessa mesma pergunta - e então esteve 40 minutos a falar sobre o assunto, para estupefacção de todo o júri. Gente genial, mas demasiado desarrumada mentalmente para passar do bom ao fora-de-série.

Sinceramente, sempre me soube genial (sempre não, desde a faculdade. Aí no segundo ano. Antes disso era demasiado criança). Fora de série, acima de todas as medianias, mas caralho se me mexo. Se me ponho a andar. Se faço alguma coisa de útil para mim (já não digo para a sociedade - quero é que a sociedade se foda). Se decido que preciso de ter objectivos de médio prazo, se me decido a agarrar a alguma coisa com força suficiente para não a perder na primeira curva do percurso.

A necessidade de fazer um mestrado - e a oportunidade que me surgiu, de ser orientado por alguém que até eu, do alto do meu nariz empinado, respeito e admiro intlectualmente -, a necessidade de trabalhar o meu jogo se me quiser tornar num jogador de póquer a tempo inteiro. Na prática, a necessidade de fazer um plano, respeitá-lo, continuar próximo a ele o tempo todo, estudar a melhor maneira de queimar tempos mortos, de potenciar a minha vida para fazer algo de útil - mais que não seja para mim mesmo.

É capaz de ser uma ideia interessante. Mas agora vou jogar Tony Hawk Pro skater. Ou como dizia alguém um destes dias, ANTÓNIO FALCÃO SKATISTA PROFISSIONAL!!!

fuck life.

26 outubro 2009

australia!!!!!!

Eu não costumo falar de poker aqui, mas isto pode ser de tal maneira life changing que achei valer a pena.



Para quem não percebeu, isto é um bilhete de 15.000 dólares. E perguntam vocês, QUINZE MIL DÓLARES? E eu digo sim, mas a questão não é essa. É um bilhete, o que quer dizer que não ganhei nada para lá de uma viagem à Austrália, estadia num hotel daqueles que só costumo ver em filmes e a entrada num torneio cuja entrada custa 10.000$.

Pretty sick, uma ida à Austrália na altura do Australian Open e a entrada num torneio daqueles que pode mudar uma vida, mais a possibilidade de ir conhecer sítios, pessoas e ambientes que só costumo ver no cinema...

Posso estar feliz, não posso?

04 outubro 2009

cara, coroa e o caralho

O caralho porque este é um momento um bocado destrutivo. Estou naquilo a que gosto de chamar life tilt; o verdeiro life tilt é quando um jogador de poker pega em todo o dinheiro que tem e arrisca tudo numa jogada. Ou quando uma modelo falta a um desfile porque quer aproveitar a noite e acaba por ser do domínio público que não estava doente, apenas a embebedar-se numa festa privada. Para qualquer uma destas pessoas a vida segue, e as coisas vão passando, mas à uma marca que fica e que nunca irá ser esquecida: um grande erro cujas sequelas prosseguem durante dias, meses, anos.

Felizmente para mim, o meu life tilt resume-se a um desejo de auto-destruição mais ou menos profundo, mas curto no tempo e no espaço. É daquelas coisas que não podem ser partilhadas com ninguém, que não justificam uma tarde no psicólogo e que na verdade deixam poucas sequelas. Mas há momentos assim, que vão acontecendo e sucedendo e que só uma sobriedade férrea evitam que descabem em algo mais.

Isto é muito importante. Muito importante, porque vem ai mais uma grande revolução na minha vida. Vou passar a trabalhar a partir de casa. E talvez nem seja o trabalhar a partir de casa.

É o ser profissional de poker. Uma coisa estranha para a maioria das pessoas, mas que estranhamente tenho reparado ser mais bem aceite e compreendida pelas pessoas da minha geração do que alguma vez tinha pensado.

Há uns tempos passei três meses em casa a jogar poker, mas não sei se a palavra profissional se aplicava verdadeiramente. Porque na verdade era uma coisa passageira, eu só queria alguma coisa para trabalhar na minha área, para me poder realizar profissionalmente, para poder sair de casa e ser jornalista, que foi o que sempre quis fazer desde os 12 anos, quando decidi que isso de querer ser humorista era, vá, estúpido.

E então apareceu a possibilidade de ir ter um estágio não remunerado numa revista de informática, e não olhei para trás. Está a ser brutal, por várias razões: porque dão valor ao meu trabalho e porque consegui cumprir os meus objectivos pessoais, porque me tornei praticamente indispensável, porque gosto daquilo que faço, porque tenho um ambiente de trabalho único (pela positiva). Acima de tudo, porque provei a quem ainda duvidava que sou muito acima da média enquanto profissional, e tive óptimos professores para a função que estou a desempenhar.

Só que, passados três meses, é tempo de fazer um ponto da situação. Não quero passar 50 anos a pagar uma casa, não quero ter de viver a contar os trocos no final do mês, não quero trabalhar nos dias em que acordar de ressaca, quero poder sair à noite a uma terça-feira sem ter de pensar na quarta, quero passar tardes a apanhar banhos de sol enquanto vejo o por do sol, quero poder estar a almoçar durante uma hora, ir ao ginásio de manhã e não ter de dar contas a ninguém.

E, sinceramente, eu posso fazer isso, viver como um rei e ainda poupar para garantir o meu futuro. Isto e muito mais, a fazer uma coisa que não é sofrimento (pelo menos enquanto forem menos de 8 horas por dia), de que até gosto, que é desafiante e numa área em que ainda tenho muito a aprender. Sim, vou estar a jogar poker pelos próximos tempos.

Aquela ideia de que se era auxiliar de acção educativo para toda a vida, ou que se trabalha numa reprografia durante 20 anos ficou lá para trás. Da mesma maneira que, e como dizia a um amigo meu ainda à dias, ir viver para o Brasil não tem mal nenhum, mas também não é preciso estar já a fazer planos para regressar: as coisas vão acontecendo.

Claro que vou ter de colocar objectivos semanais e mensais bem definidos, que vou aproveitar esta oportunidade para ter um estilo de vida mais saudável (olá ginásio), para fazer algumas das coisas que ainda me faltam fazer (daquelas que não vou fazer aos 40 de certeza absoluta). Ter objectivos bem definidos e ter liberdade para ser feliz à parva, viver desafogado sem ser rico e continuar com esta confiança doida em mim (que andou perdida durante um ou dois anos). Acho que poucas pessoas com 20 e poucos se podem dar a este luxo, e eu posso: vou olhar para trás porquê?

Comecei a escrever isto irritado com a vida, por um misto de overdose de computador e uma sessão de poker em que fiquei 370 euros down (o que deve ser record para mim - apesar de ser perfeitamente normal para o nível em que jogo). A verdade é que escrever estas linhas me ajudou a arrumar ideias, focar energias e relembrar quem sou e para onde vou. Acho que é para isto que serve um blogue, e é uma parvoíce eu estar tanto tempo sem postar.

19 agosto 2009

Life update

Olá dois leitores deste blogue.

Estou a escrever isto como quem vai a meio caminho para ver a tarde de atletismo na RTP2 que vai estar mesmo mesmo mesmo para começar, mesmo não havendo portugueses para competir.

Eu sei eu sei, faltam updates e notícias. Mas se há alguma novidade grande para dar, é que decidi que vou mesmo ser jornalista. Mesmo. Isso inclui começar a utilizar twitter e facebook duma maneira profissional (auch, doí), e dar o passo seguinte. Sim, comprar um domínio, passar umas horas a aprender a mexer em cms's (para já wordpress) e masterizar (isto existe) os meus conhecimentos de SEO e webdisign vão ser skills a desenvolver. Claro que fazer isto com full-time job e continuar a jogar poker em part-time vai ser muito complicado, especialmente pelas horas passadas a ler tutoriais e a mexer em código, tarefas enfedonhas e de que tenho fugido a todo o gás, mas que vão ter de acontecer.

Ando a ler um livro daqueles de gestão pessoal e assim muito giro: talent is overrated. Um editor duma revista para buisnessman que escreve muito funny e que tem uns argumentos, nada científicos mas muito bem defendidos.

Só queria dizer que não sei, ao certo, o que vai acontecer a este blogue. Não faz muito sentido, não tenho muito prazer em falar sobre a minha vida, mas também não o queria matar. Logo se vê.

26 julho 2009

Lance perdeu a volta à Franca em bicicleta (e +)

Sim, perdeu. Fez terceiro, mas este post não é só sobre ciclismo.

Durante anos a anos (sete!) ele ganhou sempre, mas esse era o seu objectivo. Único objectivo. Ele vivia um ano a pensar nas três semanas da prova, fazia as subidas com meses de antecedência, escolhia os companheiros de equipa a dedo, alimentava-se e fazia tudo a pensar nessas 3 semanas. Tudo. Durante sete anos.

A questão que se tem de colocar é se aquilo é vida. Da mesma forma como os atletas de topo que desde os 13 anos vivem em centros de alto rendimentos (menos, se forem ginastas). Se era aquilo que ele queria continuar a fazer, depois de já ter provado ao mundo o que valia. Este ano ele fez outras provas, deu mais entrevistas, preparou-se de outra forma. Não pensou apenas no Tour, e fez terceiro lugar. Podia ter ganho.

A questão é mais do que velocipédica. É o sentido da vida que está em jogo. Se ficar na história vale a pena todo aquele esforço, se faz sentido abdicar de praticamente toda a vida, se trabalhar 16 horas por dia vale esse ordenado com quatro zeros com uma semana de férias por ano, se correr para chegar a essa reunião vale mais do que assistir à primeira prova de natação em que o nosso filho vai participar.

Eu deixei o meu "emprego" com ordenado bem acima do que qualquer recém-licenciado na minha área pode sonhar, com horário flexível.
E para quê? Para estagiar três meses, de borla, em algo que gosto MESMO. E que me vejo a fazer o resto da vida.

Só me assusta sentir-me tão sozinho, às vezes.

21 julho 2009

prioridades


"nuna nos devemos preocupar com a direcção de actores num filme que não chega a ter algo a que se possa chamar argumento"

20 julho 2009

19 julho 2009

Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (2008)

Algures no tempo, deve ter havido um estudo de mercado cujas conclusões foram flatulência, gajas e bizarria. Nada contra. Pessoalmente, até gosto da ideia de filmes que incluem gajas e situações bizarras em geral (o escatológico nunca me encheu as medidas enquanto objecto de criação artística, e por isso passo a parte das flatulências). A questão é quando estas situações caricatas são totalmente desconexas, a história é um pretexto para se mostrarem mamas, se produzir o mais baixo humor escatológico e baixar ainda mais o padrão nas comédias estúpidas.

Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay (no português “Grande Moca, Meu! A Fuga”) é a sequela de uma das últimas comédias estúpidas decentes (Harold & Kumar Go to White Castle – “Grande Moca, Meu!”), que teve relativo sucesso comercial e me surpreendeu, até a mim, por não ter sido corrido por toda a crítica a bolinhas pretas. Abordava estereótipos, ideias preconcebidas, partia duma premissa idiota como móbil para toda a acção e tinha punchlines subtis e, em alguns momentos, quse ternas. E tinha uma história.

O ponto de partida continuam a ser dois jovens americanos filhos de emigrantes e muito ganzados, na idade do nem-adulto-com-emprego-nem-teen-imaturo que andam por aí. E a verdade é que algumas das coisas ainda aqui estão. O filme continua a abordar estereótipos e ideias preconcebidas, por exemplo – só que agora parecem metidas a martelo, tal como algumas piadas quase-conseguidas e todas as situações criadas do nada, sem pés nem cabeça apenas porque tinham de acontecer.

Mas a grande diferença é outra. Enquanto que no original os nossos quase-heróis eram os responsáveis pelo progresso da acção, agora é acção que os prossegue e lhes indica o caminho. Em vez de puxarem por nós, são os rapazes que são arrastados e se vêm enrolados dentro da história. Depois é o que já se disse: as situações parecem criadas artificialmente em vez de irem acontecendo, as punchlines são forçadas e sabemos quase sempre o que aí vem. Nunca há a verdadeira surpresa, aquela totalmente inesperada e que nos obriga a dizer WTF? Nunca.

Agora, isto faz um filme mau. Um filme péssimo precisa de não ter história, e mais do que não ter história, ponta por onde se pegue, interpretações válidas e chegar a ser aborrecido. O problema é que este Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay reúne todas estas características. Fazer remakes baratos e sem sentido pode encher um pouco mais a carteira dos grandes estúdios, mas no longo prazo esta política pode saír-lhes cara. É que com filmes destes, não fica muita vontade para voltar ao cinema.

18 julho 2009

um dia vem todo

ou a verdadeira razão porque nunca se desiste.

11 julho 2009

+ tour e ciclismo em geral

Pela primeira vez tenho a sensação que o armstrong pode ganhar o tour. Isto pode parecer estranho, mas o ataque que Contador fez ontem deixou-me parvo com a situação criada, obviamente que o ciclista da astana que deveria ter ido para a frente deveria ter sido um segunda linha, tão perto da meta estavamos num sitio onde só se podiam ganhar um míseres segundos e onde os gastos (a nível de esforço, psicológicos caso de não conseguir chegar) são claramente superiores a esses segundos. Sinceramente penso que a frieza de Amstrong ainda vai dar muito que falar, se ele chegar a uma fase final muito perto do contador digamos que em contra-relógio vai ser muito curto para o Contador, o norte-americano vem em subida de forma e sinceramente se ele acabar a segunda semana muito perto do espanhol (30s), com a experiência e a subida de forma pode chegar... Claro que as odds das casas de apostas continuam muito malucas (é a velha história das linhas serem colocadas para o público e não pelas hipóteses reais... neste caso começa a atingir dimensões rídiculas). Contador ainda é favorito, mas não tão favorito como já foi.

Acho que é obrigatório o diário do Sérgio Paulinho na EuroSport. Muito bom, claro que sempre com o cuidado de não revelar muito de dentro da equipa mas faz parte do esquema das equipas, comunicação e dar mediatismo aos seus corredores passa também por ter uma comunicação tentacular, chegando a vários pontos e esta é mais uma forma de divulgar o nome, neste caso da capital do Cazaquistão (WTF is going on with cycling?) mas é um elemento sem dúvida essencial, tal como são os twiters (ficariam espantados com a quantidade de ciclismo-related twitters que andam por aí) e os sites de equipas dinâmicos e com muita info. Faz parte.

Fiquei muito impressionado com as palavras do Sérgio Paulinho noutro dia. Sinceramente não sou muito fã do ciclista em questão, e fiquei sem saber bem o que pensar quando ele disse que mais tarde gostaria de ficar ligado ao ciclismo, mas não como director desportivo ou assim mas antes... mecânico. Mecânico. O meu avô foi mecânico de ciclismo, nada contra, sinceramente acho que é algo de nobre e subvalorizado no ciclismo (como no hóquei em patins, por exemplo), mas alguém que é medalhado nuns JO, que corre em equipas de topo anos e anos seguidos quer-se com mais ambição, prespectivas mais largas, sei lá algo mais. Sinceramente gostei pela humildade que mostrou (e que falta muitas vezes aos ciclistas que andam perto do topo e acham que têm de ser alguém "importante" no mundo do ciclismo depois do final da carreira), acho que muita gente podia aprender com ele. Mas, sinceramente, acho que é um excesso de humildade que também lhe tolhou a carreira, que o colocou nos primeiros anos da carreira (ainda enquanto sub-23) numa posição em que poderia ter sido muito mais do que vai acabar por ser... E acho que ele vai sentir isso quando voltar para Portugal e ganhar uma volta em final de carreira com relativa facilidade e começar a perceber todo o potencial tático (que lhe pode ter faltado no momento mais importante da carreira, os JO em que fez prata) e técnico (especialmente em contra-relógio) que desperdiçou ao longo de anos... Eu percebo que mais vale um pássaro na mão (ou um petro-dólar) mas às vezes fico a pensar que o ciclista português passou ao lado de uma grande carreira, mais do que Azevedo (era braço-direito dos chefes de fila, quase sempre) ou mais do que vai passar a nova geração (sinto que vem aí algo de muito bom para o nosso ciclismo).

08 julho 2009

hoje vou falar de ciclismo

Como quem me conhece sabe, uma das coisas que nunca vou conseguir explicar é a paixão pelo ciclismo de estrada. E hoje tenho vontade de falar sobre o tour, e um twit não chega.

Ontem aconteceu uma coisa estranha - os dois primeiros da volta à França ficaram no mesmo segundo. Numa altura em que o tempo total deve ir em mais de meia dúzia de horas, em que já houve houve dois contra-relógios isto pode parecer estranho, mas faz-me lembrar uma volta a Portugal em que dois homens da Maia-Cin ficaram no mesmo segundo no contra-relógio antes da subida à torre (ainda havia etapa de consagração)... Coisas que ficam na memória, lembro-me bem da emoção na cara do Manuel Zeferino - que logo se foi no dia seguinte quando o José Azevedo teve o seu dia mau (tinha sempre um) na subida à torre... Não me lembro do ano mas foi algo de maravilhoso, numa altura em que a volta ainda era desenhada também para criar emoção e emotividade e não apenas para vender a cidades de Portugal a partida e a chegada como evento mediático com direito a João Baião e tudo.

Mas isto para dizer que aconteceu o melhor que podia ter acontecido à Astana. Não o melhor que podia ter acontecido a Amstrong, que ele pode nunca mais voltar a ter esta oportunidade, mas deixar nas mãos de outra equipa a amarela tira peso de cima, oferece à concorrência a honra de vestir de amarelo por estes dias (+ uns trocos que entram, mais tempo que se fala da equipa... Há que defendê-la) enquanto se poupam esforços para a diabólica terceira semana sem obrigação de marcar o ritmo no início das etapas, sem ter de ir para a frente do pelotão, sem queimar energias desnecessariamente e mantendo o foco naquilo que realmente interessa - a amarela no final das três semanas. Só que o senhor que vai vestir a amarela (poucos duvidam) no final das três semanas vai ser Contador, e para o impacto mediático, para trazer mais público, capas e interessados tinha sido bom o Norte-Americano passear de amarela por uns dias. Claro que assim a Astana pode muito bem poupar-se ao desgaste mediático que seria não proteger o camisola amarela mas sim o chefe de fila, é preciso não esquecer, nem o director desportivo tem de tomar decisões difíceis no actual "real madrid" do ciclismo, nem a já partida equipa se parte ainda mais.

Oh, e nada de passar tardes a assitir aos últimos 100 km. de etapa, para variar. Mas um gajo aguenta (há sempre os resumos ao final do dia :)